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08:21 - 23/08/10
Financiamentos aumentam 56,2%

 

Brasileiros se animam com inflação estável mais juros baixos e correm para o crédito imobiliário. Tendência é que o volume desse tipo de operação cresça 233% até 2014
 
Com inflação estável e juros em baixa, o financiamento imobiliário é a modalidade de crédito que mais cresce no país. Segundo o Banco Central, embora em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) o crédito de imóveis represente apenas 3,3%, a taxa de crescimento nos últimos 12 meses terminados em junho alcança 56,2%. A tendência(1) para os próximos anos, de acordo com o Banco do Brasil, é que a carteira dos bancos, hoje de R$ 120 bilhões, chegue a R$ 400 bilhões (alta de 233%) em 2014 e a relação com o PIB passe para cerca de 7,5%.
 
Segundo o vice-presidente de Cartões, Novos Negócios e Varejo do BB, Paulo Rogério Caffarelli, há muito que o financiamento imobiliário deixou de ser o patinho feio para os bancos. "A troca da hipoteca pela alienação fiduciária deu mais segurança para o negócio", disse. Na hipoteca, o imóvel era a garantia do banco em caso de inadimplência, mas existia um custo elevado para a retomada do bem, além de uma demora na ação judicial em torno de cinco anos. Isso não acontece com a alienação fiduciária. Por esse instrumento, criado em 1997, o mutuário só se torna efetivamente dono do imóvel que está comprando financiado depois que paga a última prestação.
 
Disputa
Em caso de inadimplência, no máximo em até nove meses, a instituição financeira consegue a retomada do imóvel. "Melhorou muito o balanço de risco da carteira", admitiu a superintendente de Negócios Imobiliários do Santander, Nerian Gussoni. De acordo com Caffarelli, o crédito imobiliário é um excelente negócio, hoje disputadíssimo pelos bancos. "É um produto fidelizador do cliente, que fica com o banco por 15 anos ou mais", argumentou. O Banco do Brasil é novo no negócio — tem menos de dois anos nesse mercado —, mas já ocupa o quinto lugar em financiamento de imóveis no país, com participação de 1,85% desse tipo de empréstimo.
 
O primeiro lugar disparado é da Caixa Econômica Federal, que detém 69,94% do mercado, seguida por Itaú Unibanco, Santander e Bradesco. Pelos cálculos do BB, a carteira dos bancos em crédito imobiliário vai alcançar R$ 140 bilhões até o fim do ano. O desembolso, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário de Poupança (Abecip) vai atingir R$ 69 bilhões, sendo R$ 50 bilhões da caderneta de poupança e R$ 19 bilhões de recursos do FGTS. A estimativa do setor é de que a quantidade de novos contratos em 2010 chegue perto de um milhão, sendo mais da metade unidades de valor até R$ 130 mil, financiadas com recursos do FGTS.
 
1 - Agilidade
A disputa dos bancos pelo financiamento imobiliário vai provocar, em curto prazo, uma queda considerável do tempo gasto entre a decisão da compra e a assinatura do contrato. Em média, hoje, os bancos levam 45 dias úteis para aprovar a operação, depois que o futuro mutuário consegue entregar toda a papelada, que vai desde certidão de nada consta até documentos cartoriais. Na meta das instituições financeiras está o prazo de 30 dias úteis.
 
Poupança necessária
 
O valor médio do financiamento habitacional vai passar dos atuais R$ 130 mil para R$ 150 mil em 2014. A estimativa foi feita pelo Banco do Brasil, o caçula dos grandes bancos no empréstimo para a casa própria. O BB baseia sua projeção na evolução crescente da renda ao longo desse período, além de taxas de juros estáveis para o empréstimo de longo prazo.
 
Para o BB, a carteira dos bancos poderá saltar para R$ 400 bilhões em 2014 — hoje está em R$ 120 bilhões, com o desembolso anual chegando em R$ 100 bilhões. Para que essa expectativa se torne realidade, é preciso, no entanto, que a caderneta de poupança continue acumulando captação líquida positiva, o que significa saques superiores aos depósitos ao longo do tempo.
 
Atualmente, o saldo da poupança está na casa dos R$ 270 bilhões. Para continuar a desempenhar o papel de principal fonte do crédito habitacional para a classe média, o saldo da poupança tem que ser da ordem de R$ 570 bilhões em 2014. É da caderneta que sai o dinheiro para financiar a casa própria, cujo valor de mercado ou de avaliação é superior a R$ 130 mil.
 
Fonte: Clip Imobiliário
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